- Será que ele não vem? – perguntava Gislaine enquanto se olhava no espelho da porta do guarda roupa, checando se estava suficientemente apetitosa.
A cada carro que passava na rua ela ia verificar na janela.Não queria ser pega de surpresa.Já ensaira cada passo de seu teatro.Conhecia bem as manhas da arte da sedução.
Tivera uma renomada professora quando fora trabalhar no inferninho.Tinha chegado muito bobinha, sem gracinha mesmo.Era bonita, pois isso sempre foi, mas era até desinteressante.Não sabia conversar direito,era muito chucrinha. Mademoisel Gigi, ou Maria Aparecida Zinoni, como tinha sido registrada no cartório da cidade de Mar de Espanha, na Zona da mata, Minas Gerais, proprietária e conhecida por seu charme e refinamento fora sua tutora.Gigi já tinha sido uma das maiores cafetinas de São Paulo, mas os tempos modernos e seus vícios a fizeram ficar reduzida apenas aqula casa de espetáculos eróticos, que mantinha uma classe de tempos passados mas que abrirá para os usuais shows eróticos a preços módicos para não ser engolida pela concorrência.Ela tinha sido uma dama, tinha estudado nos melhores colégios da região e tinha morado dois anos na França.Sua família era de posses.Teve uma infância rica e fora instruída na mais alta etiqueta.Quando estava estudando na França seus pais foram assassinados por rivais políticos.Ela havia sido jurada de morte.Sem o dinheiro que a família mandava, começou a trabalhar como empregada, depois governanta, até que se apaixonou por um senegales que quase acabou com sua vida.Vivia dopado e exigia dela dinheiro para as drogas.Aos poucos ela foi se envolvendo e passou a consumir também.Perdeu seu emprego e se viu obrigada a se prostituir.Mas como tinha classe e tinha alguns conhecidos na alta roda, virou prostituta de luxo, sendo professora para jovens iniciantes e saindo com alguns velhos vinicultores da região de Bourdon.Depois de algum tempo, seu visto de estudante venceu, achou que poderia continuar suas atividades no Brasil , tinha conhecido um fazendeiro rico de São José do Rio Preto, que se apaixonou por ela e iria ajudá-la.Pegou o navio e chegou no porto de Santos.De lá,seguiu para São Paulo e pegou o trem para São Jose.Chegando lá , o fazendeiro foi avisado e alugou uma pequena pocilga para ela.Mas mudará de idéia, uma vez lá, descobriu que quem tinha dinheiro era a esposa dele, que ele não passava de um banana, que cumprirá sua promessa para não ser desmacarado por aquela "francesa". Foi assim que começou suas atividades no Brasil, se tornando conhecida e oferecendo os melhores serviços e acompanhantes a preços exclusivos.
Mas o tempo foi passando, ela foi se tornando muito poderosa e perigosa e temendo pela sua vida veio para São Paulo onde continuou suas atividades, mas já não tinha mais a mesma classe e a mesma "influenza".Tudo era muito mais efemêro e não conseguiu se estabelecer na alta roda, que já tinha os seus fornecedores, tendo que se contentar com aquele inferninho, com cara de rendez-vous e algumas garotas como Gislaine, fugidas da roça e que tentavam a sorte na cidade grande.Tentava deixá-las com menos jeito de puta, que pudessem acompanhar homens de classe, apesar do tipo de clientela piorar a cada ano.Mas com o tempo, se tornara mais baixa, cobrando pela hospedagem, pela alimentação, porcentagem dos programas e chegou a contratar um leão de chacará que trancava a porta das meninas que estavam devendo para ela, as impedindo de fugir.Se tornará uma bandida.Que fim para uma mulher de classe como ela...A vida podia ser impiedosa...
- Que bom que você chegou, já tava ficando preocupada.O que é que você ficou fazendo na rua até essa hora, já devia estar em casa a pelo menos uma hora, tenha santa paciência.Daqui a pouco a janta fica pronta.Vai tomar um banho e depois você me conta.Deu um beijo e voltou para a cozinha.
- Mamãe tá cada dia mais louca, pensou Maria Helena.
Ela tinha ido se encontrar com Alexandre.Na verdade ele a encontrou na porta da escola de inglês.Ele tinha ligado hoje a tarde, logo depois que ela tinha chegado do colégio.Não sabia se contava para a mãe.Era muito cedo para ela ficar fazendo aquelas mil perguntas sobre quem era o rapaz e aonde ele tinha conhecido,mas tinha gostado muito dele.Iam se encontrar amanhã na saída da escola.
- Mãe, cadê o pai? Gritou do quarto enquanto tirava o sapato e se jogava na cama, pensando no Alexandre.
- Ainda não chegou.Ele ia passar na casa do Claudiomar levar o dinheiro do pagamento para a mulher dele.
Foi falando e indo para o quarto de Maria Helena.Abriu a porta e disse:
- Estou com um aperto no coração, menina. Seu pai que não apronte nada com a viúva.Ela é menina moça e seu pai ainda é bonitão,né?Mesmo barrigudo.
Maria Helena concordou
- Ele que me chifre que eu corto o pinto dele.
- Papai te ama, mamãe.Ele te ama.
-Não sei o que seria da minha vida sem ele,minha filha.
E falou com uma saudade no coração....
Um estalo.E caco de vidro espalhado pelo chão.Zumira derrubara um casco de cerveja da pia.Quase acertou o dedão, se ela não tirasse rápido o pé.Ia ser um corte feio, ia ter sangue para todo lado.Tinha chegado do mercadinho e iria preparar uma galinha ao molho pro Tobias. O Tobias gosta muito de uma galinha , pensou e riu.O dia inteiro estava com uma sensação estranha,estava preocupada mas não sabia porque.Maria Helena ainda não tinha voltado da aula de inglês.Talvez fosse isso.A agitação com a festa também deveria ser isso.Mais a morte do Claudiomar, a forma como foi enterrado sem velório,ia mandar rezar uma missa para ele.Recolheu os cacos e passou um pano úmido para não ficar nenhum caquinho.
- O Tobias também,viu, porque não guarda no engradado essas porcarias.Ele tá ficando cada dia mais barrigudo, daqui a pouco, nasce.Imagina aquele barrigudo grávido.Só eu sei que ele não ia aguentar.Quando eu fiquei grávida ele não deixava eu lavar um copo.É um bom marido.
Olhou no relógio da cozinha e viu que tinha 2 horas até ele chegar.Chegava do boteco varado de fome.Passava o dia de beliscos.Ás vezes fazia um lanche mas a muito perdera o hábito de almoçar.
Deixa eu começar logo senão ele chega e eu ainda não acabei,pensou.Foi pegando os ingredientes.O bom de se ter um mercadinho é que eu sempre tenho os produtos.Fico durante o dia pensando no que fazer e é só checar se tem.Ajuda até a conferir o que tem saído mais. Preciso falar pro Tobias que a gente vai precisar dar uma aumentada.O salão já tá ficando pequeno.E vamos ter que contratar mais alguém, não estou mais dando conta.Ficar indo no domingo para verificar mercadoria tá duro.Já faz anos que não conseguimos viajar. A última vez faz uns cinco anos.Foi quando fomos para Lucas do Rio Verde visitar a fazenda do Deodésio.Ele era amigo do Tobias e tinha ganhado um dinheiro na loteria esportiva.Ganhou uma bolada e comprou uma fazenda no Mato Grosso.Tinha virado produtor de sojá e só deu o endereço pro Tobias.Também o que o Tobias já tinha vendido fiado para ele. Uma vez ele até fez mercado para ele quando ele ficou desempregado.Fez vaquinha com a turma do futebol.Essa turma é do bem,mas o Tobias tem um coração de ouro.
Perdida em seus pensamentos, o tempo foi passando, o cheiro da panela foi ficando mais gostoso e invadindo toda a casa.A campainha tocou, ouviu a chave girando na porta, tirou o avental, olhou no relógio do microondas e foi para a sala.
Ele então decidiu que era melhor se livrar logo daqueles dois,porque os caras tavam dispostos a tudo.Não eram do bairro, nunca tinha visto os dois por ali.Depois falava com o Geraldo que trabalhava na delegacia e era cliente.Tirou do bolso o dinheiro que era para pagar a viúva.Entregou para o que deu um soco nele.
– Aí tio, tá vendo.Se tivesse feito isso antes nóis já tinha ido e tu não tinha tomado porrada- falou o que parecia ser mais calmo.
– É isso mesmo, cê quis fude com nóis mas quem vai fude com você sou eu. Tira essa calça que cê vai levar rola.Tá me tirando de mané, seu Filho da puta.Vou comer teu cú para você aprender a não querer fuder comigo.Tira essa calça, sua bicha.
Tobias lembrou da estória do tarado que tentou pegar sua Zumira.Será que era o mesmo.Será que era esse aí? Olhou para debaixo do balcao e ali estava seu revólver. Desde aquela época ele tinha arranjado uma outra arma e levado para o bar. Deixava num engradado embaixo do caixa.Aquela estória do tarado tinha mexido com ele.O outro então falou:
– Deixa disso cara, vambora antes que a gente se dê mal.Com a grana se paga uma puta, vai se arriscá comendo cú di véio agora?
O outro parecia possuído, tava muito louco de crack ou qualquer drogas dessa.Parecia babar.Mas num estalo se virou e estava indo embora.Tobias estava ali, a arma estava ali, mas o drogadão não estava satisfeito e se virou rápido, descarregou a arma....Do lado de fora ouviu-se os disparos.Sete tiros.Era uma terça feira.Tobias tinha pensado em trair sua esposa hoje.Não ia mais......
Dez horas da noite, Tobias estava apagando a luz e já ia baixar as portas.Quem fazia isso era o Claudiomar,pensou.Os fregueses já estavam indo.Todos ficaram triste com a morte do Claudiomar.O assunto do dia só foi esse.Mas a vida continua, não tem jeito.Um dia tá vivo e no outro....
- Quer que espere você fechar Tobias? – disse um deles. - Te deixo na tua casa.Tô com o carro da patroa aí.
– Precisa não.Meu carro tá aí na loja da dona Ivete.Boa Noite.
Viu ele entrar no carro e dar uma buzinada de despedida. Ia dar uma passada na casa do Claudiomar, levar o dinheiro da viúva.Com o passar do dia a má intenção tinha passado. Só queria resolver logo esse assunto, ir para casa e tomar um banho. O calor tinha sido forte,ainda bem, vendeu cerveja até.Tava difícil sem o Claudiomar para ajudá-lo.Ia precisar de alguém.Ia colocar uma placa. Procura-se atendente.Compraria na banca pela manhã. Era terça feira.
- Amanhã não tem jeito, ou vou experimentar a roupa ou vou acabar indo com o meu terno azul marinho mesmo.A Maria Helena me mata.Droga, mais uma manhã com o boteco fechado.Compro a placa na volta.Conferiu o bolso de trás para ter certeza que tinha pego o dinheiro.
Tomou uma porrada na cabeça e foi empurrado para dentro do boteco.Eram dois.Ainda zonzo, tomou um soco na barriga e perdeu o ar.Caiu sentado no chão.
– Cadê o dinheiro, dá logo essa porra senão nóis te apaga.
E apontou a arma para Tobias. Tobias levantou
– Tá no caixa, pode pegar.
Nunca tinha sido assaltado, todo mundo conhecia ele. Ficou embaçando na porta do bar pensando na vida, não reparou que todo mundo já tinha tomado cada um seu rumo.
- Vai lá então ,pega logo.
Foi para trás do balcao e pegou o dinheiro do caixa.Tinha pouco, porque o resto tava no bolso da calça para pagar a viúva.
– Cê tá me zoando, tio – falou o outro assaltante – Só tem essa merreca?
Ele respondeu que sim que o movimento tinha sido fraco quando tomou um murro no meio da cara. Caiu,derrubando uns vasilhames e alguns copos.Cortou a mão ao tentar se levantar.
– Ce tá me tirando, maluco.Tava de olho e saiu uma pá de mano agorinha mesmo.Cê tá querendo levar uma cum nóis?
Ligou logo cedo para Tobias.
– Seu Tobias, é Gislaine.Tô ligando para avisar que deu tudo certo lá no IML.Eles iriam enterrar o Claudiomar em uma vaga pública,não sei como se fala direito.Queria agradecer ao senhor pela ajuda. O senhor foi um anjo. Só que eu ia precisar de mais um favor do senhor, se não for incomodar demais.Como o Claudiomar é quem pagava o aluguel, eu vou ter que sair da casa.Precisava do salário do Claudiomar para pagar o aluguel.Só que não tenho para onde ir ainda. Provavelmente vou voltar a trabalhar lá no centro.Amanhã vou lá na boite ver se tão precisando de dançarina.O cartão do telefone tá com pouco crédito. Seu Tobias, se o senhor puder passar aqui em casa, eu vou estar esperando...e desligou o telefone, como se a ficha tivessa caído.
Ele não teve nem tempo de falar nada.Mas iria.Queria dar uma última olhada em Gislaine. E tinha que pagar mesmo o salário e mais algumas obrigações.Precisava pegar uma cópia do atestado de óbito para dar baixa na carteira dele.Mas ficou com certo remorso de deixar a moca voltar pra "vida". Quem sabe ela não gostaria de trabalhar no botequim ou ajudar Zumira no mercadinho.Sei lá até de empregada em casa.Já fantasiou com ela limpando o chão de quatro.Riu – Nem ferrando a patroa ia deixar. Mas vou fazer o seguinte, levo a Zumira comigo,apresento a moça.Só depois ofereço o emprego.Vou falar com a Zumira,pensou.Mas ele queria ver a viuvinha mais uma vez sozinho.Parecia que tinha um diabinho no ombro.Mas qualquer um ficaria maluco com a oportunidade de dar umazinha naquela viúva.Menina nova, ele sabia que ela fora da vida, não vai ter ninguém na casa com ela, que mal teria.Mas pensou que aquilo poderia ser perigoso.Desta vez era o anjinho que tentava colocar um pouco de consciencia naquela cabeçona.Pensa com a cabeça de cima, Tobias - chegou a ouvir.Mas o diabo é mais forte e ele iria. -Não ia forçar nada.Que se dane emprego.Não ia oferecer nada.Ia levar o dinheiro,ser simpático e se ela bobeasse, caia pra dentro. E o dia inteiro ficou nesta indecisão.Olhava o relógio e não via a hora de fechar o boteco. – Droga de boteco, pensou, ficava até tarde aberto.Fechava só lá pelas dez da noite.Abria as seis da manhã.Trabalhava que nem um desgraçado,pensou.Mas tava indo bem.Se tivesse tido um filho abriria outro boteco.Mas com a menina vai ser diferente.Ela ia estudar e ser alguém na vida.Não ia precisar ficar que nem ele, se matando.quase esqueceu de Gislaine, até uma vizinha ali do boteco veio para comprar cigarro.Uma morena que trabalhava na lotérica.Gostosa.Aquilo reativou seu desejo. - Que mal tem dar uma puladinha de cerca – pensou - Ninguém vai saber mesmo.Estava decidido, ia comer a viúvinha.
Gislaine pensava o mesmo.Vestiu uma saia bem justinha, branca e colocou uma calcinha preta.Usava uma mini blusa azul royal, sem sutiã.Se maquiou e se perfumou. Estava pronta para a guerra. Pediria desculpas a ele pelo modo que estava vestida mas diria que decidira procurar emprego aquela noite.Estava desesperada,choraria, jogaria seu corpo contra o dele. Sabia que ele viria,sabia que ele não resistiria....
Gislaine não estava disposta a voltar ao inferninho. Agora queria tentar fazer com que Tobias a "ajudasse". Ela sentiu que ele ficara interessado nela, mas não podia entregar de vez que não queria nada além de um dinheiro em troca de algumas horas de cama.Homem casado devia ser melhor ainda.Não ia ficar morando com ela, ela ia ter mais liberdade. Quem sabe até arranjar um namorado.Com o Claudiomar era fogo.Ele não dava um tempo.Tava sempre lá, em cima e toda noite vinha incomodá-la.Achava um saco quando ele chegava do bar e vinha cheio de carinho.Homem assim tá pedindo para ser corno. Mas naquele momento ele era a galinha dos ovos de ouro, o ganha- pão dela.Melhor do que aturar dez homens por noite.E ele era meio ruim de serviço.Fazia rápido e depois já caía pro lado e ia dormir.Melhor para ela.
Mas com Tobias ia ser diferente.Ele é empresário, rico, era patrão do falecido ( o fato de ter carro e ser dono do negócio dava a impressão para ela que ele era um Olacyr de Moraes ou um Antônio Ermirio,apesar de não conhecer nenhum deles).Ia ter vida de dondoca. Quem sabe até abria um salão de beleza para ela.Ela fazia um cursinho e começava a trabalhar.Passava tudo pro nome dela e não teria que suportar homem nenhum.
Saiu do IML, estava esgotada, fedida e para piorar tinha descido sua menstruação.Estava com o absorvente encharcado.Mas pouco importava, já teve gente que pagou para transar com ela nesse estado.Nada a surpreendia mais.Como aquele infeliz deu trabalho. E agora tinha que pensar no aluguel. Iria colocar seu plano em andamento.Seduziria Tobias.Afinal já tinha visto Zumira e achou que seria fácil.Mas teria que ir devagar, pelo menos até sentir que ele teria culhões para trair a mulher.Diferente de tudo que já viveu, pela primeira vez sentiu tesão.Por causa dela Tobias podia até largar a família.Mas não era isso que queria.Não queria ter um homem vinte e quatro horas do seu lado.Não estava a procura de amor.Queria uma renda. Às vezes se perguntava como seria sua vida lá no sertão.Ia estar passando fome ou trabalhando em alguma colheita, com um monte de ranhentinhos na barra da saia.Ou teria sido morta pelo pai e pela madrasta, pois se quando era apenas uma cordoninha ele já ficava doida, se a visse hoje, o velho morria do coração.Mas ele que fique com aquela carne e osso que era a mulher dele.Mulher feia e burra.Ela podia não ter muita cultura, mas era esperta.A vida a ensinou a ser.Estudou na escola da vida e faltava pouco para se formar.Tobias seria seu diploma.E finalmente teria uma vida fácil.Não estava completamente errada, mas as coisas não sairiam bem como ela esperava....
- Que chinelo,menina.Sei lá de chinelo.Você deixa as coisa jogadas por aí e depois quer que eu saiba.Fico o dia inteiro naquele mercadinho e ainda tenho que ficar recolhendo as suas bagunças. Ora essa.
- Que foi negão, tá machucado?
– É cortei o pé. Derrubei um perfume da Yolanda e me cortei. Mas já já melhora.Dá para jogar.
Zumira voltou da cozinha com o cafézinho na mão.Tremia, pois notara que o cunhado a olhava com espanto.Ele estava até meio pálido. Chegou a derrubar o café na xicará.Honório estava besta com a visão que tivera.Sua sobrinha com certeza não era mais uma garotinha.Tinha se tornado uma bela mulher e ele já havia notado isso a algum tempo, em segredo. Mas aquilo não estava certo. E ali estava Zumira na sua frente olhando para ele com cara de besta. O que será que ela sabia? Geralmente mãe e filha são mais amigas, isso não é coisa que se conta pro pai.A não ser que ela queria que eu fosse morto.De ter se ofendido.Será que ela ouviu que eu dizia seu nome.Como um tio pode ter essa tara pela sobrinha.Ela nunca tinha dado motivo. Sempre fora tão correta. Só que era uma coisa que foi acontecendo.Todo esse carinho que ela sempre demonstrou por ele.Nem a sua Yolanda era tão carinhosa .Ás vezes que ela se sentava em seu colo e ficava dando beijo em seu rosto.Que chamava ele de lindão. Que se alguma sem vergonha se chegasse nele ia ver com ela,ela dizia.Que ele era só dela.Sua cabeça procurava maldade em qualquer gesto inocente de sua sobrinha para justificar a sua perversão. Lembrou se das brincadeiras na praia, da vez que ela tirou ele para dançar, qualquer coisa poderia ser um sinal. Afinal de contas ela havia entrado na sua casa, viu que Yolanda não estava e ficou ali espiando.Mas porque Tobias estava com a arma na mão quando ele tocou a campainha?Será que tinha sido acalmado pela mulher? Será que ele desconfiava de alguma coisa.Ele não tinha culpa, estava em casa tranquilo, ela que ficou lá bisbilhotando.Estava perdido em pensamentos.
Zumira notara que o cunhado não estava falando com ela.Que parecia estar distante.Será que ele descobrirá o chinelo? Será que ele sabia que tinha sido ela que havia invadido sua casa e ficado o observando? Seria ele tão cara de pau a ponto de se fazer de desentendido? Porque ele ficara mudo daquele jeito? Porque não falava com ela?Parecia que nem estava ali.As perguntas martelavam sua cabeça.
Os dois não trocaram uma palavra desde a chegada de Honório.Pareciam totais desconhecidos.Cada um com seus segredos,cada um com seus pensamentos.O silêncio só foi quebrado, quando Maria Helena abriu a porta do quarto e berrou - Mãe, você viu o meu chinelinho de couro preto que o tio Honório me deu?
Os dois gelaram.Honório quase deixou a xícara cair, derrubou um pouco de café no tapete. Zumira quase teve um treco.Aquela menina quase matou seu tio e sua mãe com um tiro só, sem saber de nada....
Era umas oito da manhã quando Maria Helena acordou com a confusão.Era um berreiro, porta batendo, até que ouviu um carro cantando pneu sair como um louco.Levantou sonolenta, coçando a cabeça, se espreguiçando.Não sabia que horas eram, mas aos domingos o botequim só abria na hora do almoço porque era quando seu pai e seu tio voltavam do futebol. Como a maioria do pessoal que frequentava o bar também ia estar no jogo, ela tinha a manhã para ficar vendo TV, ouvindo rádio. Adorava ouvir música, principalmente um programa de pagode que sorteava alguns prêmios.Tentava ligar mas nunca conseguia ser a primeira.Chegou até a colocar o número na memória do telefone. Quando ficava sozinha no seu quarto ela gostava de dançar.E dançava bem a danada.Nunca fizera aula, mas era uma coisa natural.Foi ao banheiro, se olhou no espelho, estava com uma cara horrível, tivera um pesadelo, não lembrava o que, mas achava que era alguma coisa com o tio.Tirou a roupa, fez xixi e ficou contando os azulejos.Reparou que um deles estava ao contrário.Nunca tinha reparado nisso.Investigou cada um dos azulejos e só aquele estava errado.Pelo menos naquela parede.Se enxugou,jogou o papel no cesto, mas errou. – Droga – estava morrendo de preguiça, não queria se agachar.Mas se agachou e jogou o papel no cesto.Puxou a descarga e ficou reparando nos azulejos deste lado.Não achou nenhum ao contrário.Pois a roupa no cesto e ligou o chuveiro. Ouviu a porta da frente batendo e a voz de seu pai chamando
– Tô no banheiro, pai, peraí . Vestiu o roupão e foi ver o que tinha acontecido.
O pai estava muito nervoso, Zumira tentava acalmá-lo.Contou que sua mãe tinha sido atacado por um tarado.Maria Helena não conseguiu evitar e riu.Tobias ficou possesso.Disse que não estava de brincadeira.Ela pediu desculpas. Zumira foi a cozinha e pegou um copo de água com açúcar.Tobias tomou e se sentou.Ainda estava com a arma na mão.Zumira pediu que ele guardasse a arma, que não gostava dela e que tinha medo.Neste momento, tocou a campainha.Era Honório.Tobias atendeu a porta com a arma não.Honório gelou.Será que ela já tinha contado para Tobias.A prova do crime estava em sua mochila.Tobias falou para ele entrar.Caramba, será que ele vai me matar, na frente da mulher e da filha
- Senta.
Ele sentou, pensando que havia chegado a sua hora.Podia explicar, pensou.Ia tentar se defender, mas Tobias simplesmente disse
- Zumira faz um cafézinho e serve pro Honório. Maria Helena vai se vestir , isso é jeito de ficar na frente do seu tio.Vou me trocar,Honório e a gente já vai.
Zumira foi a cozinha. Não conseguia olhar nos olhos de Honório.Estava envergonhada.Honório notou a distância da cunhada. Maria Helena estava sentada no braço da poltrona da frente, de roupão. Se levantou, caminhou até o tio, se abaixou e deu um beijo no rosto do tio.Honório não teve como desviar os olhos.O roupão deu uma abaixada e ela estava sem sutiã. Para se apoiar, colocou a mão na coxa do tio que estava de shorts.Pôde sentir a mão quente de Maria Helena em sua coxa.A outra mão tocava a face de Honório
-Tio, eu te adoro, não liga pro meu pai não – falou no ouvido dele.
Se levantou e foi para seu quarto, saltitante e rindo.Honório acompanhou a sobrinha com os olhos.Estava soando frio. Não tinha mais dúvidas.Maria Helena tinha ido a sua casa...
Honório tomara uma susto tremendo com o barulho de algo caindo no chão, parecia vir do quarto.
– Yolanda é você?
Desligou o chuveiro.Será que ela viu que eu estava me masturbando e ficou nervosa?pensou. Afinal ela nunca me viu fazendo isto - se enrolou na toalha - Droga porque eu não fechei a porta do banheiro?.Agora ela vai ficar me enchendo por causa de besteira.Com certeza vai perguntar em quem eu estava pensando
- Yolanda - gritou, sem resposta, e mesmo molhado vai ver o que poderia ter acontecido.
Mas não podia ser Yolanda, ela tinha ido trabalhar, se lembrou Honório.Quando adentra no quarto sente uma dor no pé, olha, um caco daqueles grandes enfiado em seu pé direito.E como arde.O perfume só ajudou a doer mais, a arder como uma brasa, queimando a ferida.O tapete no pé da cama está encharcado de perfume.O cheiro adociado combinado a dor no pé o deixam zonzo.O que aconteceu aqui? – pensou – Como isso foi acontecer? Mesmo com o pé sangrando, vai pulando em um pé só até o banheiro, ligou o chuveiro, abriu o chuverinho e limpou o ferimento, tirando o caco que ainda estava fincado na sua sola. Amarrou a toalha de rosto no pé.O ferimento parecia não parar de sangrar e arder. Foi até o quarto, colocou uma bermuda, estava todo molhado ainda e tinha sentado na cama , teria que trocar o lençol. Estava pingando pela casa toda, foi a cozinha, não viu ninguém, foi até a sala e viu a porta aberta.Alguém tinha entrado ali.Passou o trinco na porta. Foi ver se não tinham roubado nada.Não que tivesse alguma coisa de valor, mas esses drogados ás vezes matam por estarem muito doidos.Tinha se decidido.Foram os drogados.Só então, quando voltava para o quarto percebeu, ali no chão, ao lado do tapete do corredorzinho que dá acesso ao quarto, um único pé de chinelo.Não era um pé de chinelo qualquer, reconheceu na hora, sabia de quem era o chinelo, afinal de contas tinha sido um presente seu. Sentiu um calafrio.O que será que ela veio fazer aqui e o desespero aumentou quando imaginou que ela poderia te-lo visto. Ele tomando banho.Será que ela viu ele enquanto fazia aquilo? Não, não podia ser.Mas o que explicaria o perfume no chão e o chinelo abandonado ali. Tenho que arrumar essa bagunça.Vou falar para Yolanda que eu derrubei o perfume quando saia do banho.Se alguém ficar sabendo disso pode sair morte.Imagina o que o Tobias ia fazer.Não é nem bom pensar. -Vou devolver o chinelo e peço que esqueça tudo aquilo, é isso que eu vou fazer – pensou. E se ele tivesse deixado escapar seu nome enquanto fazia aquilo? Estava decidido, teria que ter uma conversa com ela...
Saiu da casa, correndo, nem pensou que os vizinhos poderiam ver a cena.Estava desesperada. Jogou o chinelo no primeiro terreno baldio que viu. Estava correndo com os pés descalços, sentiu a uma sensação de liberdade que não sentirá a tempos, estava correndo e rindo.Rindo da sua aventura. Como poderia ser tão sem vergonha.Não se importou, gostou da sensação de perigo e excitação.Corria descalça e com as partes molhada.Que sensação boa, que delicia que emoções, a liberdade, a loucura, o prazer.Descobrira o prazer na observação.Na observação das partes de seu cunhado.Em ver outro homem zalém do seu Tobias.Será que teria outra oportunidade como aquela.Ela queria experimentar aquilo de novo.Ficara viciada na sensação de perigo, na adrenalina, no risco de ser descoberta.Sentiu o vento por debaixo de suas coxas roliças.Não ia no cemitério coisa nenhuma.Tobias não iria jogar bola hoje.Eles que contem com outro perna de pau.Iria Transar. Nada de fazer amor.Queria sexo.Sexo como a tempos não fazia.Desde o nascimento de Maria Helena seu casamento havia se tornado monótono.descobrira uma coisa que acendia seu fogo. O perigo. O perigo de ser descoberta, do proibido, do indecente.Lembrava do tamanho do Honório e ria.As pessoas na rua deviam pensar que ela era uma louca.Ria e corria.Sem sapatos,descalça.Ria com uma felicidade que incomodava.Se sentia viva.Mas antes de acabar com Tobias, precisava tomar um banho.Inventar um motivo para não ir no cemitério.Para chegar em casa descalça.Não podia dizer que passou na casa de Yolanda.A alegria se transformou em preocupação.Mas que se dane.Valeu a pena.Não ia perder aquele sentimento por nada.Queria repeti-lo.Quem sabe uma tarde não desse uma passada para fazer uma "visitinha" para Honório.Descobriria a hora que ele tomava banho.
Começou a fantasiar e a criar planos.Em sua cabeça.E continuava correndo, até que chegou em casa.Não percebera mas viera correndo pelos quatro quarteirões que separava sua casa da de Yolanda.Não passara no mercadinho e estava ali, esbaforida, descalça, os pés em chamas, sujos. Tobias estava saindo com o carro e viu a esposa correndo. Desceu do carro desesperado. O que acontecera com ela, pensou. Ela precisava pensar rápido.
- Tobias, tentaram me estuprar
Tobias quase caiu duro.Ela estava louca? Que idéia mais besta.Porque não falou que tentaram assaltá-la.Achou em falar isso, mas na hora saiu outra coisa.Daonde tinha vindo aquela idéia besta.Agora não poderia mais transar com ele.Tentaram estuprá-la e ela tinha ficado com tesão e queria transar.Ia julgá - la de louca.
Tobias pegou a mulher pela braço, deixou o carro ali, no meio da rua, ligado.Ela falou para ele se acalmar que estava tudo bem, que estava tudo bem. O rapaz devia ser um bebado ou alguma coisa. Tobias não se acalmou.Estava bufando, entrou na casa correndo.O que ela fizera? Ele estava descontrolado.Entrou em seu quarto, e em uma caixa de sapato, tirou um revólver.
– Vamos atrás deste sujeito, ninguém toca na minha mulher, ninguém.
Zumira resolveu ir adiante, a besteira já tinha sido feita.Só restava ir atrás do estuprador e falar que não o encontrara.Imagina se ele descobre o que ela tinha feito.Iria matá-la ou matar Honório que não tinha culpa nenhuma.E se alguém viu ela saindo da casa dele correndo...
- Meu Deus, o que eu fui fazer...
Atrás da cortina de plástico do chuveiro, viu a sombra de Honório.A cortina era de uma transparência que permitia ver todo o contorno do corpo dele. A água batia em seu corpo e respingava na cortina, descendo pelo plástico. O vapor deixava um clima de mistério e ela não conseguiu se conter apenas a uma espiadela.Esquecera que Yolanda poderia voltar a qualquer instante (afinal não vira o bilhete na geladeira), mas aquilo apenas a insitava mais a curiosidade. Ficou ali, respirando baixo, imóvel, enquanto Honório se ensaboava todo, passando a mão por toda a extensão de seu corpo.Caramba, nem ela podia imaginar que o cunhado era tudo aquilo.Se Tobias desconfia ia ter morte.Mas olhar não tira pedaço.Quando se preparava para ir, aquela última olhadela, notou que Honório colocara a mão na parede, parecendo não estar passando bem. Meu Deus, o que ela devia fazer.Voltou a olhar mas só então reparou. Ele não estava passando mal, ele estava se tocando.Ela pode ver pela sombra a verdadeira potência daquele negrão.Aquilo era muito melhor do que qualquer sonho, daqueles bem sacanas.Quase entrou em desespero, e se Yolanda entrasse, mas não podia tirar o olho da cena. Foi ficando excitada. Sentiu um melado entre suas pernas.Imaginou que ele poderia estar pensando nela.Colocou sua mão dentro da saia, começou a se tocar.Sua respiração foi ficando ofegante. Não conseguia tirar os olhos de Honório.Estava louca. Sua vontade era de entrar naquele chuveiro e dar-lhe uma "mãozinha".Sua boca salivava, como quem vê um prato de comida ou uma deliciosa sobremesa. Começou a se tocar com mais força, a apertar os seios, sentia que estava a poucos segundos de perder os sentidos.Ele também acelerava sua manobra, parecia que ia ser a qualquer minuto que aquele vulcão arderia em erupção.Estava encharcada, quase deixou soltar um gritinho de tesão, ele ali na sua frente a poucos metros, ela sentiu que não conseguia mais segurar, iria chegar ao extâse, estava vindo, vindo, vindo, perdeu os sentidos, perdeu o equilíbrio, escorregou e se estabacou na pentedeadeira, derrubando um vidro de perfume no chão, que se espatifou, espalhando seu líquido pelo tapete do quarto.Desesperou, saiu correndo, tropeçou na porcaria do tapete e seu chinelo ficou preso.A droga do chinelo ficou preso e ela desesperou mais ainda.Não quis saber, correu, com um pé descalço e outro calçado.O que faria, como iria se explicar.Não falaria nunca sobre o chinelo com Yolanda, não podia se esquecer. Passaria no mercadinho e pegaria um novo.Ia jogar este no lixo.
Ela nunca se esquecerá daquele ano novo, mas não podia ficar dando bandeira checando a mercadoria na frente de seu marido e de seu cunhado. Ela sabia que a recíproca não era verdadeira, afinal de contas ela havia engordado mais de 20 quilos quando da gravidez de Maria Helena e não tinha perdido nem um terço desse peso, tendo ficado rechonchuda, como dizia Tobias. Sabia que Honório era fiél e não queria confusão para o seu lado, nem ela.Mas tinha curiosidade. E um dia ela pode matar essa curiosidade.
Era um domingo e Zumira foi até a casa de Yolanda para que ela fosse com ela até o cemitério, dar uma limpada, acender umas velas, colocar umas flores no túmulo de Aguinaldo. Aguinaldo era irmão da Zumira, que fora morto pela polícia em um tiroteio.Ele era bandido, mas todo mês, Zumira ia "visitá-lo". Como sempre, ela foi entrando casa adentro, abrindo o portão e entrando na casa sem cerimônias. Sabia que Honório não estaria e que Yolanda estaria na cozinha preparando o café. Mas naquele dia, o destino quis que esta situação não se repetisse.Yolanda saíra cedo para o emprego.Seria necessário fazer um inventário e ela se ofereceu, pois ganharia hora extra e Honório ia jogar bola mesmo.Soube na vespéra, não teve tempo para notificar Honório pessoalmente, por isso deixara um bilhete na geladeira.Honório, por sua vez, fora dispensado mais cedo, pois a empresa teve um problema com fornecimento de matéria prima e não adiantava ficar segurando o pessoal.Se tivesse chegado dez minutos antes, cruzava com Yolanda.Chegou, foi para o quarto sem fazer barulho, para não acordar Yolanda,queria fazer surpresa. Tirou a roupa na sala e se dirigiu pé ante pé, abriu a porta e viu que a cama estava vazia.Aonde teria ido.Foi até a cozinha e viu o bilhete na geladeira. – Que droga, pensou – O pior é que a brincadeira que previa fazer com sua Yolanda o excitou e agora ela não estava. Decidiu tomar um banho, precisava relaxar.Na excitação não trancou a porta da frente.
Zumira entrou na casa e chamou por Yolanda, que não respondeu, foi até a cozinha e também não tinha ninguém também. Quando voltou para a sala ouviu barulho do chuveiro.Entrou no quarto, a luz apagada e viu a porta do banheiro aberta.Foi quietinha, pé ante pé, ia assustar Yolanda.Mas ouviu um cantar, meio desafinado mas grave.Não era Yolanda.Pensou em voltar, ia sair dali, já pensou se Yolanda chegasse e a visse ali no quarto.Mas a curiosidade era maior.Não queria perder essa oportunidade,ia ser uma espiada só e ia embora, voltava mais tarde.Se aproximou do batente e então esticou seu pescoço.Um taco rangeu.Gelou a espinha.Mas a curiosidade só aumentava.Colocou o rosto de lado e então viu.Mais do que podia imaginar.....
Com a empolgação da viagem nem pensaram neste pequeno detalhe.Estavam eles lá na praia com suas roupas e sem lugar para se trocar. Honório então sugeriu que fossem até a rodoviária e lá se trocariam. Colocariam as roupas normais por cima das roupas de banho e depois tirariam no carro lá perto da praia mesmo.Fariam o mesmo para colocar a roupa branca.Não tinha outro jeito mesmo.Seguiram o conselho dele, foram até a rodoviária, que estava um inferno, o banheiro estava uma imundice e depois de muito esforço, conseguiram se trocar.Foram para a praia.Já era quase meio dia quando finalmente eles colocaram o pé na areia.Honório estava de shorts, o mesmo shorts que usava para jogar bola. – Tira esse short, Honório.Você colocou a sunga que eu comprei para você? Falou Yolanda. Ele respondeu que sim, mas que estava com vergonha, que preferia ficar com o shorts.Nada disso,respondeu Yolanda, não vou ficar andando com você com esse shorts horrível.Realmente o shorts era feio.Não para jogar bola, mas para ir na praia era.Era preto, almofadado do lado.Só faltava um ki-chute para combinar.Honório puxou Yolanda e falou em sua orelha – Mas tá pequeno, tô com vergonha. Yolanda falou para ele deixar de ser besta, que ninguém ia reparar, a praia estava cheia mesmo e para ele parar de frescura.Tobias voltou para o carro para pegar o isopor. Ele falou que ia armar o guarda-sol primeiro, depois tirava. Yolanda falou que ele era um bobo mesmo e foi molhar os pés na água. - Vem Zumira, vamos na água. Zumira falou que ia esperar o Tobias,que já ia. Horório terminou de colocar o guarda sol, Tobias voltou com a geladeirinha, pegou uma cerveja e foi para a água com Zumira. Honório ficou lá, sozinho, não queria tirar o shorts. Yolanda se divertia na água.Parecia uma sereia negra.Brincava com seu irmão e sua cunhada.E ele lá sozinho.Zumira voltou para pegar outra cerveja e falou para ele deixar de ser bobo. – Vem, vamos para a água, tira logo esse shorts e vem se divertir.Você não vai ficar aí o tempo todo,né Honório. Honório falou que não dava para tirar o shorts, porque tava muito apertado, ele tava com vergonha. Ela falou para ele deixar de frescura e tirar logo e vir para a água, que ele tava com viadagem.Ele se ofendeu e falou. - Eu vou tirar e você me fala se dá para andar assim. Abaixou o shorts e Zumira arregalou os olhos.Não sabia dos dotes de Honório.A sunga era vermelha e realmente estava muito apertada, marcando todo o volume de Honório.Além do mas, ela tinha uma certa transferência e ela ficou quase que hipnotizada.Tobias não era assim.Sentiu um calorão.E ele não estava excitado. - Fala Zumira, você acha que dá para ficar andando por aí assim?
Zumira então voltou do transe.Bebeu a cerveja que veio buscar para Tobias com um gole só.Não conseguia tirar os olhos de Honório.E ele tinha um corpo esbelto, não tinha a barriga de cerveja que Tobias apresentava.Tinha um pouco de pelo no peito e suas coxas eram grossas e musculosas.Agradeceu que estava com seu maio molhado, pois sentiu que tinha ficada umidecida.Não sabia explicar, como nunca notara que seu cunhado era uma delícia.
– Zumira, responde, você não acha que está indecente. Ela então deu uma risadinha e falou para ele que era melhor mesmo ele ficar com o shorts. – Mas vem, vamos para a água. Só não comenta com eles que você sabe como esses irmãos são ciumentos. -Vem logo - mas antes lembrou-se de pegar outra cerveja na geladeirinha.Nossa senhora, a Yolanda é uma felizarda,pensou.Ela realmente ficou impressionada com o Honório.Aquele seria um ano novo diferente e ela passaria a ver Honório também de forma diferente....
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